Montanha Russa

julho 02, 2020


Estar numa montanha russa é muito mais perigoso do que estar triste ou do que estar feliz. Quando você está triste, está triste. Quando está feliz, está feliz. Quando não se sabe onde está, não se sabe para onde está indo. Você perde noção de direção, intensidade e limite. Ah… o limite. Você o perde completamente.  Vive nos extremos que te oscilam e você não vira nada mais que um ioiô, um mero brinquedo instável, ou um peão, que não sabe mais sua órbita. E seus atos se tornam descontrolados, pois as noções ficam confusas, instáveis, nubladas. Você machuca a si mesmo e aos outros, mas não sabe que esse perigo esteve presente até o erro se tornar palpável. Você simplesmente não sente mais nada. 

Passa a ter medo que a loucura lhe domine pois não se reconhece nas suas atitudes, mas você as fez conscientemente. “Sou apenas uma pessoa má que finge ser boa”. Há o medo de não ser nada do que imaginava ser, e isso não ser poético como nos textinhos românticos. Você está dividia em duas, entre o que conhece e entre o que teme ser e não sabe quando uma tomará o controle da outra. A destruição está na palma das suas mãos e você precisa segurar com força. A queda é rápida mas a dor é duradoura, catastrófica. Você não pode se despir e trocar de lugar, lar ou país: primeiro porque você não vive num filme onde fugir parece ser a coisa mais simples; e segundo, não importa aonde vá, vestirá a mesma pele, o mesmo medo, será a mesma pessoa caótica. E quando você percebe que não há mais fuga, é quando se paralisa. Não há onde ir, nem a quem pedir socorro. 

Não há perdão, piedade, nem mãos para lhe ajudar a levantar. Não há braços que lhe confortem enquanto está encolhida no chão. Não há amigos, e nem confiança. Você não confia mais em si mesma. Você não perdoa mais a si mesma. O fio do ioiô rasgou. O peão parou de rodar e pendeu. Não há mais voltas e nem oscilações pois não há mais um brinquedo. 

V.Elisa~

💙💙💙

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